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O que fazer quando as finanças da empresa e da família se misturam

Pode até parecer exagero, mas 80% dos problemas financeiros que ocorrem nas empresas estão direta ou indiretamente relacionados à uma prática equivocada e que pode pôr em risco a sobrevivência do negócio:

O uso do 'caixa' para pagamento das despesas pessoais dos sócios.

Engana-se quem pensa que esse tipo de situação é exclusiva das micro e pequenas empresas. Pelo contrário. Algumas companhias tradicionais, de grande porte e que prestam serviços complexos, também enfrentam dificuldades neste sentido.

CASO COMENTADO

Três médicos eram sócios-proprietários de uma clínica especializada em exames de alta precisão. Devido a complexidade das suas atividades, a clínica-empresa necessitava estar constantemente atualizada. Para tanto, era necessário investir periodicamente altas quantias em máquinas e equipamentos de última geração, que muitas vezes eram comprados por meio de consórcios especializados ou financiamentos de médio e longo prazo em dólar.

Ainda que o movimento da clínica fosse muito bom, com faturamento atingindo a casa dos R$400 mil mensais entre receitas de planos de saúde e de particulares, sempre houve imensa dificuldade na administração da empresa, principalmente no tocante a Gestão Financeira.

O crescimento do negócio revelou que algo não estava bem, pois mesmo com o contínuo crescimento do faturamento, a clínica não conseguia honrar seus compromissos com pessoal, fornecedores e credores, e isso estava expondo a empresa a sérios riscos financeiros e comerciais.

Diante deste quadro preocupante, a diretoria decidiu que seria necessário fazer uma análise diagnóstica antes que fosse tarde.

Assim que os trabalhos começaram, logo constatou-se:

Uso indevido do 'caixa' pelos sócios.

Na verdade, o prejuízo era resultado da mentalidade equivocada dos proprietários que pensavam que o dinheiro da empresa era deles e que, por isso, podia ser usado para toda e qualquer finalidade. Em outras palavras: o Eu Mereço estava afundando o negócio, senão vejamos:

  • Eu mereço almoçar e jantar em restaurantes sofisticados diariamente;
  • Eu mereço comprar roupas novas e caras porque trabalho o dia todo;
  • Eu mereço andar em carros último tipo porque é a imagem da clínica que está em jogo;
  • Eu mereço viajar para congressos em todas as partes do mundo, afinal tenho que estar constantemente atualizado;
  • Eu mereço reformar o apartamento da praia, a casa da fazenda, etc, porque minha família merece, blá, blá, blá.

O mais grave disso tudo é que os três sócios estendiam esses mimos aos seus familiares. Além do alto custo operacional característico do negócio, foi constatado que a clínica estava pagando diversas despesas alheias à atividade, tais como:

  • presentes;
  • contas de jantares e festas badaladas;
  • escolas e faculdades dos filhos dos sócios;
  • viagens de férias;
  • parcelas de diversos veículos;
  • salário do caseiro da chácara de um dos sócios;
  • contas pessoais, como as de celular, tratamentos estéticos, dentre outras indulgências.

Um detalhe curioso do trabalho foi que em nenhum momento qualquer dos sócios desconfiou que as altíssimas retiradas mensais fossem a principal causa dos problemas, tampouco que o descontrole orçamentário poderia prejudicar o negócio, como de fato ocorreu.

Em fevereiro de 2009, assim que a primeira etapa do Diagnóstico Financeiro Empresarial foi concluída, a dívida da clínica era de R$2.300,000,00, agravada por uma série de compromissos vencidos cuja execução judicial era inevitável.

TOMADA DE DECISÃO

Em situações assim não há outra coisa a fazer senão abrir o jogo e deixar claro que “um dia a fonte seca”. É preciso agir rápido, pois a conta aumenta velozmente, tornando a solução mais complicada. Mesmo diante de tantas evidências, os médicos pareciam incrédulos com o veredito. Ali ficava evidente que convencê-los que a solução do problema dependeria de conscientização e de mudanças urgentes de atitude era o grande desafio.

Solução

A necessidade urgente de capital não deixava outra alternativa senão vender parte do negócio. A entrada de um sócio-investidor era a chance de quitar as dívidas mais relevantes e sanear o déficit de 'caixa' em curto prazo sem aumentar o endividamento. Por fim, caberia a contratação de uma equipe de gestores externos capazes de implantar um modelo profissional de gestão 'blindado' de vícios.

Felizmente fomos ouvidos!

Algum tempo depois a clínica-empresa voltou a respirar.

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